Socioeducandos de Caruaru terminam curso no IFPE e ganham direito à liberdade assistida.

  Socioeducandos de Caruaru terminam curso no IFPE e ganham direito à liberdade assistidaUm primeiro passo que já está fazendo a diferença na construção de uma nova história de vida. Assim foi a conclusão da primeira turma do curso de Eletricidade Veicular por quatro internos do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) Caruaru, uma das unidades da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase).

  Os adolescentes tiveram 44 horas/aula ministradas por professores do Campus Caruaru do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFPE), dentro de uma parceria entre as duas instituições. Além da certificação em um curso técnico, o comprometimento com as aulas e o bom comportamento viabilizaram que a Justiça concedesse a progressão das medidas socioeducativas cumpridas pelos adolescentes.

Um deles conseguiu a liberdade antes do término da formação. Os outros três, que ainda estavam no regime de internação no Case, ganharam a liberdade assistida com prestação de serviços comunitários pouco depois do evento de certificação. As aulas ocorreram nas segundas e quartas-feiras, das 8h às 12h, no Campus Caruaru, ao longo de pouco mais de um mês.

Os estudantes treinaram o que aprenderam com uma bateria de carro doada pelo Sindicato dos Lojistas do Comércio de Caruaru (Sindloja). Além de obter o certificado e a liberdade, o grupo terminou o curso com uma vivência sobre o valor do comprometimento com os estudos, tendo conhecido a rotina de uma instituição de ensino na qual só se ingressa por vestibulares e estabelecido relações.

Como os alunos regulares da instituição, os socioeducandos conheceram laboratórios, salas de aula e a biblioteca. “Agradeço esse apoio que vocês me deram. Saindo do Case, a gente vai fazer diferente. O que fizemos de errado é passado. Agora é vida nova e mundo novo”, declarou o socioeducando W.S. “Vou lutar para que essa história mude.

E já está mudando. Quero que ele seja um cidadão de bem”, complementou a mãe do adolescente M.A., outro que concluiu o curso. O juiz da Vara Regional da Infância e Juventude de Caruaru, José Fernando Santos, responsável pela análise dos processos de adolescentes em conflito com a lei em 42 municípios de Pernambuco, lembrou que, na aula inaugural do curso, ocorrida em maio, havia se comprometido a reavaliar as medidas socioeducativas cumpridas pelos alunos, desde que concluíssem as aulas.

O estímulo foi considerado determinante para que eles chegassem à certificação. “Na ocasião, eu disse que vocês estavam progredindo, e agora isso está acontecendo. É algo de uma importância social muito grande. Espero que, um dia, vocês possam até ser professores desta instituição e ajudar outras pessoas como vocês foram ajudados”, disse. A diretora do IFPE Caruaru, Elaine Rocha, mostrou-se satisfeita com o resultado, que foi o primeiro da parceria firmada com a Funase. Uma nova turma teve início, em setembro, por meio da parceria.

“Essa certificação dá bastante alegria para esta casa de educação. Este é um projeto que foi pensado com muito respeito e sensibilidade. É uma parceria que queremos continuar. A partir do bom desempenho de vocês, outros virão. Queremos que vocês sejam multiplicadores”, destacou. A diretora geral da Política de Atendimento da Funase, Íris Borges, lembrou que dar essa oportunidade para os socioeducandos é romper com uma trajetória que já foi marcada por situações de vulnerabilidades antes da internação.

“A caminhada ainda é longa, mas acreditamos que os adolescentes beneficiados usarão essa oportunidade para transformar seus projetos de vida”, avaliou. “Os adolescentes e as famílias foram firmes e interessados no curso. Concluir esta etapa é honrar esse comprometimento”, completou o coordenador geral do Case Caruaru, Paulo Pinto.

 Na Funase, a articulação de parcerias na área de qualificação é feita pelo coordenador do Eixo Profissionalização, Esporte, Cultura e Lazer, Normando Albuquerque. Também presente ao evento de certificação, o gestor destacou que o envolvimento coletivo tem sido uma estratégia exitosa para beneficiar os socioeducandos.

 “Gente do Judiciário, do IFPE, do Sindloja, de fora e de dentro da Funase se envolveu para que nada faltasse para vocês. Terminar esse curso foi só uma pincelada das possibilidades que existem no mundo lá fora. Vocês cresceram, estabeleceram relações, viram uma realidade com a qual não estavam acostumados. É uma vitória para vocês e para todos nós na nossa missão”, declarou.
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