FPI do São Francisco estimula entrega voluntária de animais silvestres criados como de estimação.

  Dentro do primeiro Programa de Fiscalização Preventiva Integrada que está sendo realizado em Pernambuco (FPI/PE), em municípios do Sertão do Pajeú, agentes ambientais de órgãos públicos e entidades não-governamentais estão visitando moradores, em suas casas, num trabalho de conscientização sobre a importância de manterem os animais silvestres livres em seus habitats naturais, e não presos em gaiolas. Este trabalho de convencimento às vezes não é fácil, mas tem tido sucesso.

Na mais recente investida, na segunda-feira (6), em Tuparetama, 29 aves de diversas espécies e quatro jabutis foram entregues para serem reabilitados e, posteriormente, devolvidos à natureza. Entre as aves, algumas de espécies ameaçadas de extinção: um papagaio da caatinga, um maracanã verdadeiro e cinco periquitos da caatinga. Com o termo de entrega espontânea, pessoas que criam animais silvestres não oriundos de criadouros legalizados evitam possíveis multas de R$ 500 a R$ 5 mil por indivíduo, esta última no caso de espécies ameaçadas de extinção, caso sejam flagrados em fiscalizações, além de terem os animais apreendidos. Até o fim da FPI/PE, na próxima sexta (10/08), a campanha de conscientização seguirá na região, tendo à frente a equipe de Fauna do programa.

Na segunda (6), participaram da visita a Tuparetama integrantes da CPRH, Ibama, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco e da ONG Animalia. No Bairro do Bom Jesus, onde alguns moradores foram encontrados com pássaros, todos se convenceram se que a entrega espontânea é uma decisão boa, especialmente para os próprios animais silvestres. “Vivendo em cativeiro as aves perdem força na musculatura e deixem de criar comunidade com outros de suas espécies. Após a reabilitação, serão soltos, formarão casais, terão seus filhotes e viverão livres em seus habitats.

É egoísmo pensar que eles se sentem melhor presos, por supostamente estarem acostumados”, explicou a bióloga Joice Brito, da CPRH, no contato direto com moradores. Aos 83 anos, a senhora Salete Paulino, que criava um periquito da caatinga, disse que sentirá falta dele – “até porque não tenho mais meu velho (o marido), que já morreu”, mas admitiu que gaiola não é mesmo lugar para os passarinhos. “Vocês estão fazendo o trabalho de vocês e estão certos.

Ninguém quer ficar preso não”, disse, logo no início da tarde, expressando um sentimento que terminou marcando grande parte da caminhada dos agentes. No final, dez galos de campina, quatro azulões, duas patativas e um bigode, entre outras espécies, totalizando 29, chegaram ao Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres) montado em área rural de Afogados da Ingazeira para funcionar durante a FPI. Em breve, estarão soltos para voar livremente.
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