Tribunal do júri condena padrasto de Maria Alice Sebara.

  Gildo da Silva Xavier, réu na morte da estudante secundarista de 19 anos, Maria Alice Seabra, foi condenado pelo Tribunal do Júri a 35 anos e seis meses de prisão em regime fechado. Ele foi considerado culpado dos crimes de sequestro, estupro, homicídio qualificado e ocultação do cadáver. O atentado consumado à vida de Maria Alice ocorreu em junho de 2015, quando o então padrasto da vítima, sob a desculpa de levá-la para uma entrevista de emprego, acabou por estuprar e matá-la, com requintes de crueldade.

O julgamento, que demorou mais de seis horas, teve o veredicto anunciado por volta das 19h de hoje, tendo seus crimes enquadrados nos artigos 121, 148, 211, 213 e 266 do código penal O júri entendeu que a vítima não teve chances de defesa e confirmou as qualificações e o dolo levantado durante a investigação e reforçado pela atuação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). "O réu agiu com culpabilidade extremada, com consciência e premeditação, demonstrando índice elevado de reprovação o que merece a devida censura, posto que o sentenciado, a pretexto de levar a vítima à uma entrevista de emprego a agrediu em contexto que anulou as possibilidades de defesa, em local em que não era possível a vítima pedir socorro ou mesmo se defender", disse a juíza da comarca de Itapissuma, Fernanda Vieira Medeiros, no ato de leitura da sentença de Xavier.

 "As circunstâncias do crime demonstram características psicológicas que determinam os padrões de pensar, sentir e agir do criminoso, conforme ficou manifestado nos autos, a personalidade do acusado é violenta, agressiva e egoísta. O que decorre não somente da forma como foi praticado o crime, mas o que foi relatado pelas testemunhas arroladas no processo, apresentando que o réu era possessivo e violento", frisou Fernanda. Gildo Xavier continua no Presídio de Igarassu, na Região Metropolitana do Recife. A condenação foi composta pelas penas de 17 anos e seis meses pelo crime de homicídio qualificado e por motivação torpe; três anos e seis meses pelo sequestro; 12 anos por conta do estupro e dois anos pela ocultação de cadáver. Ao longo da realização do júri, a defesa do acusado, realizada pelo defensor público, Jânio Piancó, procurou desqualificar o depoimento da delegada Gleide Ângelo, que foi convocada como testemunha.

 “Não entendemos a estratégia da defesa, que reconhece o homicídio, mas pede absolvição do réu e também ao colocar que a delegada não poderia prestar depoimento sobre o caso por ter, ao longo da realização das investigações conversado com a imprensa trazendo um suposto ‘juízo de valor’ ao depoimento da delegada”, disse o promotor de Justiça responsável pelo caso, Alexandre Saraiva. A defesa, ao longo do julgamento, procurou colocar em xeque a evidência de que a vítima não teria sido estuprada, considerando que o laudo apresentado pela polícia foi inconclusivo. “O primeiro laudo não descartou estupro, ele apontou que devido ao avançado estado de decomposição do cadáver, não foi possível atestar, naquele momento, o crime.

 Contudo há outras provas como a marca de batom da cueca do acusado encontrada no local do crime, o fato dele ter colocado sua bermuda para vestir a vítima, o sutiã rasgado e a ausência de roupa íntima”, ressaltou Saraiva. Após a argumentação, visivelmente emocionado, o promotor de Justiça Alexandre Saraiva, leu trechos da música “Trem bala”, de Ana Vilela, distribuindo rosas brancas para as mulheres que estavam entre o público presente na sessão e, especialmente, às irmãs e a mãe de Maria Alice, presentes no julgamento e bastante emocionadas. “Temos que trabalhar e incentivar que todas as mulheres vítimas de violência doméstica possam encontrar alento e respeito”, finalizou ele.
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