AM participa de discussões sobre violência contra a mulher no Ibura.

  Promover o empoderamento das mulheres no enfrentamento à violência doméstica e familiar, apresentar as diferentes formas de identificar situações que podem ser consideradas abusivas contra a mulher e explicar sobre o que diz a Lei Maria da Penha, além de também debater sobre o feminicídio, foram temas abordados no I Encontro das Mulheres dos Bairros do Ibura e Jordão, realizado na terça-feira (13), no Ibura, na Zona Sul do Recife.

O evento foi organizado pela Frente Democrática pelo Desenvolvimento e Defesa do Ibura/Jordão, grupo formado por moradores de ambos os bairros, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, e que contou com a participação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), através do Núcleo de Apoio à Mulher (NAM).

Além do MPPE, também estiveram presentes representantes do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE); do Centro de Referência Clarice Lispector, ligado à Secretaria da Mulher do Recife; integrantes de movimentos sociais ligados às causas em defesa dos direitos das mulheres; e estudantes e trabalhadoras da região, atentas às explicações trazidas pelos órgãos convidados.

Coube ao Tribunal de Justiça apresentar o trabalho desenvolvido no chamado Projeto Caminhos, idealizado pela 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Capital em parceria com a Secretaria de Defesa Social do Estado. O projeto tem por objetivo fazer com que as mulheres vítimas do crime de lesão corporal recebam, ao prestar queixa policial, uma carta convite para comparecerem às reuniões na vara e, com isso, contribuir para a redução de desistência de processos de medidas protetivas de urgências.

O NAM foi representado por sua coordenadora, a promotora de Justiça Maria de Fátima de Araújo Ferreira, que esteve acompanhada por servidoras do núcleo. O NAM foi criado a partir de um convênio entre o Ministério Público de Pernambuco e o Ministério da Justiça, por meio do Programa Nacional de Segurança Pública com a Cidadania(Pronasci), para a criação e estruturação de núcleos que apoiem o combate à violência doméstica e familiar contra a mulher.

“A ideia de fazer com que o trabalho do NAM pudesse chegar até à comunidade foi de um dos nossos servidores terceirizados do Ministério Público, Paulo Henrique de Oliveira, que é integrante da Comissão de Direitos Humanos e Cultura pertencente à organizadora do evento. Paulo nos procurou e demonstrou total interesse em apresentar o nosso trabalho desempenhado no Núcleo para as mulheres daqui do Ibura e também do Jordão”, comentou a coordenadora do NAM.

“Quando um promotor de Justiça ou promotora de Justiça deixa o seu gabinete e vem até a comunidade para conhecer as suas demandas, a resposta é imediata e o processo de relacionamento entre sociedade e MP é melhor, pois às comunidades ainda encontram dificuldades de chegar até o MP”, revelou Paulo Henrique de Oliveira, Auxiliar de Supervisão do MPPE e membro da Comissão de Direitos Humanos e Cultura da Frente Democrática pelo Desenvolvimento e Defesa do Ibura/Jordão.

Ainda segundo Paulo Henrique esta não será a única participação do MPPE em eventos organizados pelo grupo. “Pretendemos também trazer representantes de outros núcleos do MPPE. Temos comissões que além de tratar de assuntos ligados aos direitos da mulher, também trabalhamos com questões de saúde, cultura, habitação, direitos humanos, crianças e adolescentes. Pretendemos convidar outros núcleos e até representantes dos Centros de Apoio Operacional às Promotorias (Caops) do MPPE para participar de iniciativas como as de hoje”, enfatizou.

Membro da Comissão de Direitos Humanos da Frente Democrática pelo Desenvolvimento e Defesa do Ibura/Jordão, a sargento da Polícia Militar de Pernambuco Jeanne Maria ressaltou que a Lei Maria da Penha é um bom exemplo dos avanços que as mulheres vêm tendo longo dos anos, no que se refere à violência. “Quando uma instituição como o MPPE deixa sua zona de conforto para ouvir de perto a comunidade, isso é um ato maravilhoso. Eventos como esse provam que estamos no caminho certo e que, apesar das dificuldades, temos orgulho de sermos mulheres”, comemorou.

Para Sebastiana Maria dos Prazeres, moradora do Ibura, ações como essa são tidas como uma verdadeira conquista. “Em comunidades pobres e carentes como são o Ibura e o Jordão, os índices de violência são altos. As mulheres não se empoderam quando o assunto é a Lei Maria da Penha, o desconhecimento sobre ela ainda é muito forte. Por isso, quando instituições como o Ministério Público chegam até a nossa casa, isso nos deixa cientes de que não estamos sozinhas e que em situações como de violência contra à mulher teremos a quem recorrer”, explicou.

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