MPPE, órgãos públicos e trade turístico apontam iniciativas para combater o trabalho infantil no Ipojuca.

   Representantes do poder público e da iniciativa privada se reuniram, na manhã da quinta-feira (25), para propor soluções conjuntas para o problema do trabalho infantil na cidade do Ipojuca. O encontro foi resultado de uma série de ações desencadeadas pela Promotoria de Justiça local, que desde o ano passado investiga a exploração de crianças e adolescentes que confeccionam e vendem artesanato no calçadão da praia de Porto de Galinhas, um dos destinos turísticos mais conhecidos do Brasil.

 Como resultado do debate, os presentes acordaram dois grandes eixos de atuação para implementar ações de combate à exploração de crianças e adolescentes. O primeiro é instituir políticas sociais para gerar capacitação profissional para os familiares desses jovens e criar programas de atividades esportivas, culturais e educativas para retirar os menores de 18 anos das ruas; o segundo é conscientizar os visitantes sobre a influência negativa da compra do artesanato, que perpetua o ciclo de evasão escolar e vulnerabilidade social a que estão submetidos os artesãos mirins. Uma nova reunião será realizada no mês de março para acompanhar a implementação das ações acertadas.

 “Não podemos esquecer que a questão do trabalho infantil é um dos aspectos da vulnerabilidade social dessas crianças e adolescentes. Quando elas estão nas ruas, ficam expostas a todo tipo de risco e as estatísticas comprovam isso.

Aqui no Ipojuca, dois adolescentes são assassinados por semana em razão da vulnerabilidade e do tráfico de drogas. Não podemos nos omitir quanto a isso”, ressaltou o promotor de Justiça Eduardo Leal. Dentre as medidas que ficaram acordadas para serem implementadas em relação ao primeiro eixo estão o início das obras de revitalização de espaços públicos voltados para ações esportivas e culturais, como quadras, campos de futebol e praças; o fornecimento, por parte do município, de profissionais de educação física e guardas municipais para garantir a realização das atividades para as crianças e adolescentes.

Além disso, a Secretaria Municipal de Ação Social vai encaminhar as famílias dos artesãos mirins para atividades de capacitação profissional. Uma outra ação, que está sendo viabilizada em parceria entre os representantes dos setores hoteleiro e de restaurantes e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), é a instalação de um restaurante escola, para formar mão de obra qualificada para atender à demanda do setor gastronômico. “A conversa para a implantação do restaurante escola está em fase de ajustes finais.

 Nós acreditamos que a educação profissional é muito importante para darmos as ferramentas para que os pais possam caminhar com as próprias pernas e dar o sustento aos seus filhos”, defendeu Betânia Paiva, do Senac. A representante do Ministério do Trabalho e Emprego, Roberta Fernandes, informou que a Superintendência Regional de Pernambuco está pleiteando, junto ao governo federal, a criação de cursos do Pronatec na cidade do Ipojuca, e que solicitou um levantamento de quais são as funções mais requisitadas por hotéis e restaurantes.

 Outros pontos levantados pelo promotor Eduardo Leal foram a importância da educação integral, com a realização de atividades no contraturno escolar para evitar a ociosidade dos jovens; e a implementação de creches, para garantir atenção especializada às crianças de até cinco anos e permitir que as mães trabalhem.

Em resposta, a prefeita Célia Sales afirmou que ainda em 2018 serão abertas as primeiras quatro creches municipais e que cerca de 3.000 alunos já vão contar com uma carga horária ampliada a partir do atual ano letivo. Em relação à campanha de conscientização voltada para os turistas, o município do Ipojuca se comprometeu a confeccionar cartazes e panfletos educativos que serão distribuídos para os visitantes, em parceria com os conselheiros tutelares, hotéis, pousadas e associações de taxistas.


O material deverá explicar, de forma leve e didática, os riscos que o trabalho infantil traz para o desenvolvimento das crianças e adolescentes com o objetivo de convencer os turistas sobre os efeitos nefastos de comprar os azulejos pintados pelas crianças. Por fim, a Prefeitura do Ipojuca vai encaminhar ao MPPE relação dos estabelecimentos que comercializam as tintas usadas pelos artesãos, que são tóxicas e potenciais causadoras de enfermidades graves.
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