Dia 1 – Ipubi: chegando até onde é preciso chegar.

   Ipubi é quase Ceará. O município de pouco mais de 30 mil habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), está a 685 quilômetros do Recife. E a apenas 140 de Juazeiro do Norte, a terra do Padre Cícero e maior cidade do interior do Estado vizinho.

O Sertão do Araripe é, talvez, o mais Sertão dos Sertões de Pernambuco: árido, quente, desértico, escaldante, coberto pela poeira do calcário que dá origem ao gesso que domina a paisagem e a economia da região. Foi a este cenário de isolamento que o promotor Bruno Miquelão Gottardi chegou, em 4 de setembro deste ano.

Desde 2013, a Promotoria de Ipubi estava sem titular. O representante do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) é um dos 21 novos membros aprovados no concurso público de 2015 – prorrogado por mais dois anos este ano, convocados pelo procurador-geral de Justiça, Francisco Dirceu Barros. A convocação, não custa lembrar, só foi possível após a implantação de um plano de contingenciamento rigoroso.

 A principal demanda da Promotoria de Ipubi é, segundo Gottardi, o represamento das demandas extrajudiciais. “Inquéritos civis, procedimentos preparatórios e outras medidas administrativas”, resume o promotor, acrescentando que a parte judicial do trabalho está em dia. “É essa questão, pra mim, o carro-chefe das tarefas de um promotor, que traz mais credibilidade para o Ministério Público.” Bruno Gottardi elegeu os inquéritos relacionados com atos de improbidade administrativa como uma de suas prioridades. “Até porque não se restringem apenas aos recursos públicos, mas dos serviços que o governo deve oferecer à população.

Vai muito além da questão financeira e sim ao bem-estar da sociedade”, detalha. Um dos casos sobre os quais o promotor tem se debruçado é a situação da Cadeia Pública de Ipubi. São seis celas, ocupadas atualmente por quatro detentos. Ou seja, não se trata de superlotação. “Fizemos uma vistoria no local e constatamos que duas das seis celas estão em condições deploráveis. Até a parede caiu.

Mas as autoridades alegam que não há recursos”, diz o promotor, que tem conversado com os representantes da Polícia Militar na cidade para solucionar o problema. BEBIDA – Outras demandas que necessitam da atenção do promotor dizem respeito ao abuso de bebidas alcoólicas. “Há muitos casos de violência doméstica, agressão, abandono de menores de idade. E a maioria está relacionada à bebida”, aponta Gottardi. “Muitos pais bebem, saem e deixam os filhos em casa. Estabeleceremos contato permanente com o Conselho Tutelar para dar o devido encaminhamento a esses casos”, enfatiza o promotor.

 Para tentar dar conta da procura, o promotor definiu que atende à população às segundas e quintas. “A feira daqui acontece nas segundas-feiras. Então, o fluxo de pessoas aumenta. Por isso, mudamos e ampliamos o atendimento, já que, quando havia colegas acumulando promotorias, o dia de receber as pessoas era a quarta”, esclarece Gottardi. O promotor reconhece que o fluxo de pessoas aumentou.

“A população agora tem um promotor diariamente na cidade. É natural que as demandas cresçam. Mas foi para isso que decidi ser promotor. Já fui analista do Ministério Público Federal em Minas Gerais, estagiei também no Jucidiário. Mas quis entrar no MP estadual, pois o membro do parquet estadual é muito mais próximo da sociedade.

” Esse contato mais estreito com o povo é uma das características mais marcantes da atuação de um promotor de Primeira Entrância, como são os 21 que assumiram no início de setembro. É o que vamos ver amanhã, dia 31 de outubro, no segundo dia do especial Novos Promotores, em Moreilândia, também no Sertão do Araripe, onde assumiu o promotor Daniel Cézar.
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