Profissão professor: a missão de formar cidadãos.

Pai e filho humanizam aulas de futsal da Escola Rotary Alto do Pascoal.

 O ano é 1977. Ingressa no quadro de professores da Rede Estadual o docente Edson Mesquita, educador físico apaixonado pela arte de ensinar. Seus alunos, em sua maioria, vulneráveis socialmente, lhe inspiraram criar aulas humanizadas nas escolas onde lecionava. Não era só a prática do futsal. Era dignidade e cidadania.

Em 2016, Edson se aposentou e passou a missão para o filho Edson Júnior, que atualmente ensina a mesma disciplina e dá continuidade ao mesmo projeto na Escola Rotary Alto do Pascoal, localizada na Zona Norte do Recife.

E é com essa história de amor pela transformação por meio da educação que nós homenageamos todos os nossos mestres neste Dia dos Professores. Atualmente, Edson Mesquita, carinhosamente apelidado pelos alunos de "Camarão", é voluntário da Rotary Alto do Pascoal, onde implantou o projeto em 2013. Ele e o filho - substituto do pai na escola - dão aulas de futsal aos meninos e meninas da unidade de ensino, e fazem o que podem para tentar mudar a realidade dos adolescentes, que vivem em uma comunidade carente e vulnerável.

 "O nosso maior objetivo é mostrar o caminho do bem a esses meninos. Não é se tornar um atleta, mas encontrar no esporte um encaminhamento para a vida e se tornar um cidadão", conta Edson Júnior. Para motivar os jovens, pai e filho mobilizam todos os moradores do bairro. "Nós fazemos eventos para arrecadar dinheiro na comunidade, como rifas e bingos dentro da escola". Além de arrecadar o dinheiro para comprar uniformes e materiais, Edson promove ações fora da escola. "Dou aula em escolas particulares e lá tem muitos estudantes com condições financeiras boas. Então sempre peço doação de chuteiras e sapatos para os alunos da Rotary.

 Hoje, quase todos os estudantes da Rotary jogam devidamente uniformizados", diz. Para participar dos times da escola, os alunos precisam ter boas notas, frequência e um comportamento exemplar. "Eles têm que dar o melhor. Tem que participar da escola. E é muito bonito ver toda a comunidade do entorno da Rotary dando as mãos para ajudar esses meninos, apesar de todas as dificuldades. Eles sempre comparecem aos eventos beneficentes, são bem participativos.

A gente chega a se emocionar. É como se eles vissem nesses adolescentes a esperança de um bairro mais tranquilo e melhor", detalha Edson. Pai e filho lutam diariamente contra ameaças que permeiam a vida dos estudantes, como as drogas, a criminalidade e a vulnerabilidade de algumas famílias. "A quadra onde a gente treina, por exemplo, é da comunidade. Então, às vezes o público que se junta na arquibancada não é o mais desejado", conta Júnior. É aí que a dupla entra em ação, lutando contra o aliciamento dos adolescentes da melhor forma possível, sem ferir com palavras, com paciência e muitos conselhos. Para Raniery Pinheiro, gestor da Escola Rotary Alto do Pascoal, as aulas de futsal resgatam vidas. "O projeto já conseguiu tirar muito estudante das drogas.

 A maioria vem de famílias bastante problemáticas e a tendência é o adolescente se espelhar nesses parentes. A gente só colhe bons frutos do nosso futsal. Hoje, temos até ex-estudantes contratados em grandes times do Brasil e colecionamos títulos. Isso melhora não só a autoestima desses alunos, mas a autoestima de todo o bairro", detalha o gestor. A estudante Jamylly Beatriz, de 15 anos, é prova de que as aulas diferenciadas de futsal podem, sim, ressignificar vidas.

Após passar por problemas familiares, a adolescente encontrou no esporte um motivo para não desistir e hoje sonha em seguir os passos do seu professor. "Quero entrar numa faculdade e fazer o mesmo que ele faz aqui na escola. Se eu não for uma atleta, vou ser uma professora de educação física e tirar muitas crianças e adolescentes da vida errada", revela, emocionada. Diante de tantas adversidades da vida e da profissão, ser professor hoje em dia, segundo Edson, ainda é prazeroso. "Ser professor é algo que me dá muito prazer.

 Venho de uma família de professores, tenho bons exemplos em casa e meu maior objetivo como profissional é ver esses estudantes bem encaminhados na vida", diz. Assistindo a toda a entrevista, Camarão se emociona com os depoimentos do filho. "Na minha época, as drogas e a criminalidade não estavam tão presentes no cotidiano dos estudantes como hoje em dia. Fico muito feliz em ver meu filho seguindo meus passos com muita garra e sem pensar em desistir. Ser professor é isso. É não desistir", declara, enquanto enxuga as lágrimas.


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